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Saúde do Idoso

Meu pai toma muitos remédios: o que é polifarmácia e como reduzir

A polifarmácia é uma das principais causas de queda, confusão e internação em idosos. Entenda os riscos e como a revisão farmacológica pode ajudar.

13 de abril de 20264 min de leituraPor Dra. Paula Baratz Kac

Uma das cenas mais comuns no consultório do geriatra é a família chegar com uma sacola cheia de caixas de remédios. O idoso toma quatro, cinco, seis medicamentos de manhã, outros tantos à noite, e ninguém sabe ao certo para que serve cada um.

Esse cenário tem nome: polifarmácia. E é uma das principais causas de internação em idosos — um risco que, muitas vezes, pode ser reduzido.

O que é polifarmácia

A definição mais aceita é o uso contínuo de cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo. Alguns estudos consideram polifarmácia a partir de quatro. O ponto não é apenas a quantidade, mas o impacto no organismo.

Por que o idoso é mais vulnerável

O corpo do idoso processa medicamentos de maneira diferente:

  • O fígado metaboliza mais devagar
  • Os rins eliminam menos
  • A composição corporal muda (menos água, mais gordura)
  • O cérebro é mais sensível a sedativos
  • As interações entre remédios se multiplicam

Um remédio seguro no adulto pode ser inadequado no idoso — e duas substâncias que convivem bem isoladamente podem causar problema quando tomadas juntas.

Sintomas que podem ser efeito dos remédios

Muitos sintomas atribuídos à "idade" são, na verdade, efeitos colaterais de medicamentos.

  • Tontura e quedas
  • Confusão ou desorientação
  • Perda de apetite
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Insônia ou agitação à noite
  • Constipação
  • Perda de libido
  • Boca seca

Se algum desses sintomas apareceu depois de começar um medicamento novo, vale comentar com o médico.

A cascata iatrogênica

É uma armadilha comum: o remédio A causa um efeito colateral, que é interpretado como sintoma novo, e o médico prescreve o remédio B para tratá-lo. O remédio B tem seu próprio efeito, e surge o remédio C.

Em poucos anos, o idoso acumula uma lista de medicamentos em que cada um existe para compensar os outros.

A saída não é mais remédio — é revisar a lista.

Medicamentos que merecem atenção em idosos

Existe uma lista internacional de referência (Critérios de Beers) com substâncias que, em geral, são inadequadas para idosos. Incluem:

  • Benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam, bromazepam) para dormir ou ansiedade
  • Anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco) de uso contínuo
  • Alguns antialérgicos de primeira geração
  • Certos antidepressivos tricíclicos
  • Relaxantes musculares sedativos

Nenhum deles deve ser interrompido por conta própria, mas todos merecem revisão médica.

O que é revisão farmacológica

É uma avaliação completa de cada medicamento em uso. O geriatra analisa:

  • Para que cada remédio foi prescrito
  • Se ainda faz sentido hoje
  • Se a dose está ajustada para a idade e função renal
  • Se há interações perigosas entre os itens
  • Quais podem ser suspensos (desprescrição)
  • Quais poderiam ser substituídos por opções mais seguras

O resultado costuma ser uma lista menor, mais segura e mais clara.

Como a família pode ajudar

Antes da consulta:

  • Faça uma lista escrita com o nome, a dose e o horário de cada medicamento
  • Inclua suplementos, vitaminas e fitoterápicos
  • Separe as caixas e leve todas
  • Anote quem prescreveu cada item
  • Liste queixas recentes (tontura, sonolência, perda de apetite)

Durante a consulta:

  • Pergunte para que serve cada remédio
  • Pergunte se algum pode ser retirado
  • Alinhe com o geriatra um plano de redução gradual, quando for o caso

Quando procurar o geriatra

Todo idoso que usa cinco ou mais medicamentos se beneficia de uma revisão farmacológica periódica. A consulta deve ser antecipada se houver:

  • Queda recente
  • Confusão ou sonolência novas
  • Internação nos últimos seis meses
  • Adição de qualquer medicamento novo
  • Perda de peso ou de apetite

Menos remédios, quando clinicamente possível, é mais qualidade de vida — e menos risco para o idoso.

Ficou com alguma dúvida?

Agende uma avaliação geriátrica com a Dra. Paula Baratz Kac.

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